domingo, 14 de junho de 2009

10 anos da Parada GLBT em São Paulo



A APOGLBT SP (Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo), é uma entidade civil de direito privado, sem finalidades lucrativas, destituída de natureza partidária ou religiosa, filiada à InterPride (Associação Internacional de Organizadores de Eventos do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) e à ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais), integrante do Fórum Paulista LGTTB e parceira da ANTRA (Articulação Nacional de Travestis, Transexuais e Transgêneros). Sua trajetória cruza com a das Paradas do Orgulho LGBT em São Paulo, pois, foi fundada em 1999 por um grupo de militantes que, desde 1997, já atuava promovendo a cidadania e a auto-estima dos LGBT através da realização e incentivo a atividades.

O Mês do Orgulho LGBT de São Paulo nasceu a partir da experiência da organização das Paradas e tem agregado mais atividades (Ciclo de Debates, Feira Cultural LGBT, Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade, Gay Day) e participantes ao longo do tempo e é ainda hoje a atividade mais visível desenvolvida pela entidade.
A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo nasceu com o objetivo de visibilizar a população LGBT e suas demandas e a princípio era organizada por uma comissão composta por representantes de vários grupos LGBT de São Paulo. Seu histórico pode ser dividido em três diferentes momentos:

1º - de 1997 a 1999 - Quando a Parada enfoca principalmente temáticas ligadas à visibilidade LGBT e se consolida como manifestação política do movimento. Nesse período a Parada teve um crescimento de 2 mil para 35 mil participantes e foi criada a APOGLBT SP.

2º - de 2000 a 2002 - A Parada passou de 100 mil a 500 mil participantes e tomou por temática principal o desenvolvimento da idéia de diversidade, de modo a não somente visibilizar a população LGBT, mas envolver a sociedade como um todo a partir do conceito de respeito à diversidade. É nesse período que as atividades em torno da parada começam a se multiplicar, de modo a dar origem ao Mês do Orgulho.

3º - a partir de 2003 - Alcançados os objetivos de visibilidade da população LGBT e da participação da sociedade, começa uma nova fase em que a Parada, já plenamente consolidada como manifestação de um campo social crescente, passa a ser utilizada a fim de refletir sobre as demandas da comunidade e como forma de pressão política pelo reconhecimento e garantia efetiva de direitos humanos de LGBT. Nesse período a Parada passou de 1 milhão de participantes em 2003 para 3,5 milhões em 2007, sendo considerada desde 2004 a maior manifestação do gênero no mundo. Em 2005 criou-se uma frente de trabalho composta por vários grupos e ONGs paulistas para visibilizar politicamente as demandas da comunidade nos eventos do Orgulho e pela primeira vez houve um movimento na direção de procurar unificar os temas das Paradas pelo Brasil. No ano de 2006, a Parada de São Paulo comemorou seus dez anos deparando-se pela primeira vez com o “Termo de Ajuste de Conduta" imposto pela prefeitura e sofrendo a ameaça de ser retirada da Avenida Paulista, principal cartão-postal da cidade, e mesmo assim bateu mais um recorde de público, reunindo 3 milhões de manifestantes. Desde então, com exceção da Festa de Reveillon e da Corrida de São Silvestre, é o único evento autorizado a ser realizado no local, o que legitima o reconhecimento de sua importância para a sociedade.

Além do Mês do Orgulho, a Associação realiza desde 2002 outras atividades periódicas. Uma delas é a organização de reuniões temáticas em sua sede, que têm por objetivos a identificação de demandas/necessidades de cada "segmento" da comunidade LGBT, a capacitação continuada e a criação de redes de apoio entre os participantes dos grupos e a redução da vulnerabilidade individual. O mais antigo desses grupos é o de Travestis e Transexuais, criado em setembro de 2002, no mesmo momento em que surgia a Secretaria de Lésbicas. Em outubro de 2003, nascia a Secretaria de Gays como espaço para discussões sobre masculinidades e demandas específicas de homens que gostam de outros homens. Nesse período ainda criou-se o Grupo de Jovens e Adolescentes Homossexuais (JAH - atualmente JA!). Em março de 2004, nasceu o Espaço B, grupo de reflexão sobre bissexualidades.

A partir de 2004, a APOGLBT SP começa a atuar na capacitação de novas lideranças para o movimento, voltando-se para a formação de jovens e adolescentes. Em 2005, começa a investir na produção de conhecimento sobre as demandas da comunidade LGBT, sobretudo com relação à discriminação e violência, a partir de pesquisas realizadas durantes a Parada. No ano de 2006, a APOGLBT SP inaugura projetos de redução da vulnerabilidade frente às DST/Aids fora do período do Mês do Orgulho, com o TOMC (Tenho Orgulho e Me Cuido), voltado para jovens e adolescentes HsH (homens que fazem sexo com homens), e o Saber Cuidar, prevenção e ampliação do acesso a imunização e tratamento para hepatites virais entre LGBT.

Ainda em 2006, investiu também no apoio ao fortalecimento do Fórum Paulista TT, sendo executor fiscal do projeto, e realizou o projeto Rede Cidadã pelos Direitos Humanos de LGBT e PVHA (pessoas vivendo com HIV/Aids), de modo a ampliar a capacidade de atender a demanda por atendimento/aconselhamento jurídico que tem recebido nos últimos anos. A APOGLBT SP mantém ainda um livro de registro de uniões homoafetivas desde 2004, que já conta com cerca de 100 uniões registradas.


Histórico das Paradas em São Paulo

1ª Parada do Orgulho GLT (28/06/1997) – “Somos muitos, estamos em todas as profissões” – 2 mil pessoas.

A "Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas e Travestis", como denominada à época, foi fruto do trabalho dos grupos CORSA (Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade, Amor), Núcleo de Gays e Lésbicas do PT de São Paulo, CAHEUSP (Centro Acadêmico de Estudos Homoeróticos da Universidade de São Paulo), Etc. e Tal, APTA (Associação para Prevenção e Tratamento da Aids), AnarcoPunks e Núcleo GLTT do PSTU. Começou tímida, mas a participação foi aumentando aos poucos com as pessoas que passavam pelas avenidas da cidade; todos se misturaram. Saiu da Avenida Paulista e terminou na Praça Roosevelt. Diferentemente das Paradas recentes, que contam com os famosos e já tradicionais trios elétricos, a primeira foi puxada por um carro, tipo perua Kombi, com uma caixa de som em cima. Por todo o percurso, os militantes revezavam-se ao microfone para discursar e puxar palavras de ordem. A bandeira do arco-íris, nosso maior símbolo, já estava lá.

2ª Parada do Orgulho GLT (28/06/1998) – “Os direitos de gays, lésbicas e travestis são direitos humanos” – 7 mil pessoas.

Em relação à 1ª Parada, a organização melhorou e o número de manifestantes mais que triplicou, provocando mudanças significativas na vida dos organizadores. Foi concluído que, para o ano seguinte seria criado um grupo, no caso, uma associação para organizar as próximas Paradas e outros eventos na cidade. Nascia a Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais de São Paulo.

3ª Parada do Orgulho GLBT (27/06/1999) – “Orgulho Gay no Brasil, rumo ao ano 2000” – 35 mil pessoas.

Maior estrutura e atenção dedicadas à realização do evento, expressadas na criação da APOGLBT SP, traduziram-se no sucesso de público, alçando a Parada de São Paulo ao título de maior manifestação pública pelo movimento já realizada no país. Foi também o primeiro ano em que a sigla GLBT foi usada, dando visibilidade social e política para os bissexuais (B), travestis e transexuais (T). O dia 28 de junho entrou para o calendário oficial da cidade de São Paulo, e a participação do público ultrapassou todas as expectativas naquela tarde de domingo na Avenida Paulista, Rua da Consolação e Praça da República. Pela primeira vez, casas noturnas colocaram seus trios elétricos para desfilar. Também houve caravanas de mais de 50 cidades.

4ª Parada do Orgulho Gay (25/06/2000) – “Celebrando o orgulho de viver a diversidade” – 120 mil pessoas.

Para facilitar a compreensão da sociedade, que até então não se familiarizava com o acrônimo GLBT (Gays Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros – utilizado no Brasil até julho de 2008, posteriormente substituído por LGBT), e a disseminação do tema da Parada, decidiu-se por abranger todos os grupos representados pelo movimento na denominação “Gay”. Dá-se o salto definitivo em termos de número de participantes, visibilidade e estrutura, marcando a Parada como o evento máximo do ativismo atual. Foi o ano do primeiro financiamento estatal obtido pela APOGLBT SP, advindo do Ministério da Saúde. A prefeitura de São Paulo também colaborou com apoio institucional, cedendo parte da infra-estrutura necessária para a realização do evento. Durante todo o mês foram realizadas atividades paralelas bastante diversificadas e, na abertura da Parada, o cantor Edson Cordeiro cantou o Hino Nacional em cima do trio.

5ª Parada do Orgulho Gay (17/06/2001) – “Abraçando a diversidade” – 250 mil pessoas.

Crescendo a cada ano, a Parada contou com a participação de mais de 12 carros em sua quinta edição. Fato importantíssimo foi a participação do provedor de Internet IG, que surpreendeu o mercado ao ser o grande (e primeiro) patrocinador privado do evento, no qual sua logomarca podia ser vista em todo o trajeto. Com a mesma proposta de celebração pública do orgulho, outros eventos passam a fazer parte do calendário oficial: o Gay Day, que aconteceu num grande parque de diversões, e a Feira Cultural, que reuniu expositores e apresentações de drag queens no Largo do Arouche. Nesse ano também a data de realização da Parada foi alterada acompanhando o feriado de Corpus Christi, possibilitando o afluxo de pessoas de outras localidades.

6ª Parada do Orgulho Gay (02/06/2002) – “Educando para a diversidade” – 500 mil pessoas.

A proposta visava firmar a Parada como um espaço que contribuía para o respeito às diferenças e “ensinava” as pessoas a conviver com elas. Nesse ano, houve o maior numero de trios elétricos desde seu início: 25 ao todo. E novamente o publico superou as expectativas, levando a Parada de São Paulo entre as maiores já realizadas no mundo.

7ª Parada do Orgulho Gay (22/06/2003) – “Construindo políticas homossexuais” – 1 milhão de pessoas.

Nesse ano, valorizou-se a proposta de definir claramente as demandas do movimento LGBT. Com esse tema, a Associação trouxe para o debate a necessidade de haver políticas específicas para a comunidade. Travestis e transexuais estavam presentes com um trio elétrico próprio, fazendo a visibilidade do segmento. O grande marco de público colocou a Parada entre as três maiores do mundo, junto com as de São Frâncico (EUA) e Toronto (Canadá). A agência de propaganda Almap BBDO patrocinou parte do evento e a cantora Elza Soares fez o encerramento com um grande show na Praça da República. O jornal Folha de São Paulo, no dia seguinte, ressaltava o sucesso da manifestação e a qualificava como uma “forma de ampliar a democracia”.

8ª Parada do Orgulho GLBT (13/06/2004) – “Temos família e orgulho” – 1,8 milhão de pessoas.

Tendo já conquistado grande visibilidade na mídia e o reconhecimento da sociedade, voltou-se a utilizar o acrônimo GLBT. O tema colocava a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais afirmando sua origem da própria sociedade, ampliando o conceito tradicional de família e exigindo o reconhecimento para os LGBT dentro da estrutura familiar. Mesmo com dificuldades financeiras que atrapalharam a realização do Mês do Orgulho, a 8ª edição da Parada tomou, pela primeira vez, os dois sentidos da Avenida Paulista. Foi o ano em que se tornou a maior do mundo, contabilizando números nunca antes alcançados em uma manifestação política do gênero. O fato fez com que a Parada do Orgulho GLBT de São Paulo fosse registrada no Guinness World Records – O Livro dos Recordes Mundiais.

9º Mês do Orgulho GLBT (29/05/2005) – “Parceria civil, já! Direitos iguais: nem mais, nem menos” – 2,5 milhões de pessoas.

Após o grande marco da Parada anterior, tendo em vista o reconhecimento internacional atingido pelo movimento, tanto pelos governos como pela mídia, a APOGLBT SP decidiu enfatizar as demais atividades ligadas à manifestação, divulgando o conjunto de ações oficialmente como o “Mês do Orgulho GLBT de São Paulo”. Nesse ano, a organização contou com o apoio financeiro do Ministério da Cultura e patrocínio de projetos de prevenção às DST/Aids pelo Ministério da Saúde. A prefeitura de São Paulo também colaborou com apoio logístico ao evento. Com o tema, o movimento cobrou do Legislativo a aprovação do Projeto de Parceria Civil entre pessoas do mesmo sexo, que tramitava no Congresso Nacional há dez anos, expondo a necessidade de se construir uma legislação de garantisse igualdade aos LGBT. No palco montado na frente do Edifício da Gazeta, diante de milhares de pessoas na avenida Paulista, Astrid Fontenelle, Jean Wyllys e Laura Finocchiaro abriram a Parada cantando o Hino Nacional Brasileiro. Com obras do Metrô previstas para a Praça da República, a Parada é dispersada na Praça Roosevelt.

10º Mês do Orgulho GLBT (17/06/2006) – “Homofobia é crime! Direitos sexuais são direitos humanos” – 3 milhões de pessoas.

O tema propunha um amplo debate social a respeito do preconceito e discriminação, incentivando uma série de ações pela aprovação de uma legislação contra a homofobia no cenário nacional, em especial o Projeto de Lei 122/06 de autoria da deputada federal Iara Bernardi, e por políticas públicas que visem o controle e a erradicação da homofobia no Brasil. Nesse ano, o Largo Arouche ficou pequeno para o público da 6ª Feira Cultural: cerca 100 mil visitantes prestigiaram o evento, que incluiu a entrega do Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade Sexual. E apesar das dificuldades envolvendo a autorização para realização da Parada na data e local indicados pela APOGLBT SP, a Avenida Paulista, e as restrições impostas por um "Termo de Ajuste de Conduta" que limitava horário, impedia montagem de palco, exigia que a limpeza das vias públicas fosse feita pela organização e impunha penalidades, tivemos novamente a maior Parada do mundo. Sem shows ou glamour, mas com o apoio de casas noturnas e sites comprometidos com a comunidade e de vários movimentos sociais, tivemos sem dúvida uma das Paradas mais politizadas.

11º Mês do Orgulho GLBT (10/06/2007) – “Por um mundo sem machismo, racismo e homofobia!” – 3,5 milhões de pessoas.

Com o tema, a APOGLBT SP agregou à Mês do Orgulho outras duas manifestações de minorias sociais: a feminista (representada pelo grupo Católicas Pelo Direito de Decidir), e a afro-descendente (pelo movimento da Rede Afro GLBT). O tema serviu para aproximar esses três segmentos na luta contra o preconceito e a intolerância, a favor de um mundo mais justo, livre de ódio. Foi também o ano dos grandes apoios, financiamentos e parcerias: Caixa Econômica Federal, Petrobrás, Ministérios da Cultura, do Turismo e do Esporte, Embratur, entre outras empresas privadas, organizações e coordenadorias. Devido ao seu crescimento de público e evidência, a Feira Cultural GLBT deixou o Largo do Arouche, onde residia desde seu início, e teve sua 7ª edição realizada no Vale do Anhangabaú, onde reuniu cerca 150 mil pessoas (embora a Feira não tenha um público fixo, devido à alta rotatividade durante o período, o que pode significar um número ainda maior) e mais de 100 expositores. O Gay Day também registrou recorde, atraindo 8 mil pessoas ao parque de diversões Hopi Hari, tornando-se reconhecido como o maior evento LGBT privado do país.


12º Mês do Orgulho GLBT (28/05/2008) – “Homofobia mata! Por um Estado laico de fato!” – 3,4 milhões de pessoas.

A APOGLBT retomou o tema de combate à homofobia para reforçar a necessidade de aprovação do Projeto de Lei Federal 122/06 ainda tramitando no Senado, que criminaliza o preconceito homofóbico, dessa vez, atrelado a defesa de uma legislação livre de influência religiosa. As Paradas de Moscou (Rússia) e de Jerusalém (Israel), cujas organizações enfrentam constantemente repressão governamental e de grupos conservadores e fundamentalistas, receberam o Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade Sexual na categoria Internacional. Seus idealizadores vieram pessoalmente ao Brasil para serem homenageados e participar das atividades do Mês do Orgulho. Num acordo inédito, ambas as manifestações tornaram-se “Paradas-Irmãs” à de São Paulo, num gesto simbólico de solidariedade e apoio mútuos para realização de ações de protesto e celebração nas respectivas metrópoles. A Feira Cultural GLBT novamente teve seu endereço alterado, para a Praça da República e em sua 8ª edição, contou com uma programação mais diversificada, que incluiu shows de mpb, rock, música experimental e apresentações de teatro, além das já tradicionais discotecagens, performances de drag queens e a entrega do Prêmio Cidadania, tornando-se um verdadeiro festival cultural e mantendo seu sucesso de público. O Gay Day, dessa vez realizado no Playcenter, fez o parque de diversões estender por mais duas horas seu horário de funcionamento, oferecendo aos seus visitantes um programa especial com DJs, drag queens, e shows de música. Para a Parada, a APOGLBT SP e a Polícia Militar do Estado de São Paulo ofereçam um planejamento de segurança nunca visto antes: foram disponibilizados 1000 policias militares, 300 guardas civis e 320 seguranças privados, dois telecentros para registros imediatos de boletins de ocorrência, além de cerca de 30 UTIs móveis, 46 médicos, 55 enfermeiros e três hospitais de campanha, totalizando 80 leitos. Pela primeira vez, desde sua 3ª edição em 1999, as casas noturnas não estavam representadas com seus trios elétricos, mas, mesmo assim, 21 carros de ONGs, sindicatos, sites e órgãos governamentais garantiram a voz e a música da manifestação – destaque para o trio reservado a portadores de necessidades especiais e o destinado a homenagear as vítimas do HIV/Aids, que fechou a Parada desfilando vazio por todo o trajeto. A Caixa Econômica Federal e a Petrobrás reafirmaram seu compromisso com a diversidade financiando novamente o Mês do Orgulho, em conjunto com o Ministério do Turismo (que teve um trio elétrico próprio na Parada) e a Prefeitura de São Paulo. http://www.paradasp.org.br/historico.htm


O site da Associação da Parada GLBT de São Paulo traz informações sobre direitos, legislação e políticas públicas. Traz entrevistas, notícias e todas as atividades relacionadas realizadas pelo público gay. Saiba como denunciar o preconceito, encaminhamento de casos de violência, ações educativas relacionadas em escolas, suporte a pesquisadores e estudantes, atividades culturais e incentivo à cultura glbt. Informe-se em relação aos seus direitos e atualize-se em suas conquistas.


sábado, 13 de junho de 2009

Neurose Obsessiva

Trechos que retratam a Neurose Obsessiva nos filmes: Vestígios do Dia, O Quarto do Filho e Camile Claudel.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Adoção Homoparental - Contra o preconceito

Entrevista do Psicólogo Maurício de Almeida ao JORNAL PSI, publicação do Conselho Regional de Psicologia de São PAulo (número 160 > abr / mai > 2009).





Em junho de 2008, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) lançou a cartilha "Adoção: um Direito de Todos e de Todas", no qual psicólogos de diversas linhas teóricas se manifestam sobre a adoção por pessoas homossexuais e / ou casais homoafetivos. O psicólogo judiciário Mauricio Ribeiro de Almeida, autor de um dos capítulos da cartilha, tem acompanhado o tema de perto. Na entrevista a seguir, ele fala sobre o tema e destaca a importância da transparência na adoção homoparental para que os pais possam ser adequadamente avaliados e orientados num processo de adoção.




PSI - De um ponto de vista jurídica, como se justifica a adoção homoparental?
Maurício de Almeida - As mudanças geradas na estrutura e no funcionamento da família nos últimos anos foram incorporadas também no campo jurídico. A família nuclear, de matriz burguesa, já não exerce tanta influência na vida e realidade vigentes. A legislação, portanto, não pode ignorar esses fatos. Casamento, sexualidade e reprodução não são mais atributos exclusivos da constituição familiar. As uniões estáveis são cada vez mais frequentes, a sexualidade não encontra apenas no casamento seu territórioexclusivo, e as técnicas de reprodução assistida desvinculam o ato sexual da reprodução, e, consequentemente, das funções básicas que tradicionalmente foram associadas à família. Temos, portanto, que ressignificar o conceito da instituição familiar.

PSI - Como a Justiça se posiciona em relação à adoção homoparental?
Maurício de Almeida - A matéria é nova no contexto jurídico, até porque, historicamente, a filiação biológica ou adotiva, sempre esteve atrelada à imagem da família nuclear, na qual os atores dos processos judiciais deviam apresentar união legalmente constituída e padrão heterossexual. A questão do direito à adoção por parte de homossexuais sequer era cogitada. Essa realidade mudou bastante nos últimos anos. Com a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente, a Legislação passou a permitir a adoção por solteiros e ou casais de união estável. A legitimidade da adoção por homossexuais solteiros ou em união estável. A legitimidade da adoção por homossexuais solteiros ou em união estável, portanto, tornou-se possível, mas ainda não está consolidada.

PSI - Como este tema tem sido tratado na prática?
Maurício de Almeida - Em determinados estados das regiões Sul e Sudeste, há um melhor acolhimento desta demanda; em outros, ainda se encontram resistências. O que ainda não temos são leis que regulamentem de forma precisa essa matéria. Isso é prejudicial porque coloca os candidatos que apresentam orientção homossexual à mercê e dependentes do "bom Senso" ou de uma concepção menos conservadora por parte dos operadores do Direito e demais profissionais envolvidos. É de conhecimento público o caso de um transexual da Comarca de São José do Rio Preto que teve negado o pedido de guarda definitiva de uma criança, em razão do promotor do caso entender que ela não oferecia uma estrutura "familiar ajustada" para cuidar de uma criança.

PSI - Psicólogos e assistentes socias têm participação importante nos processos de adoção. Há resoluções sobre o tema que sirvam de referência para esses profissionais?
Maurício de Almeida - Sim, psicólogos e assistentes sociais dispõem de resoluções específicas sobre a orientação sexual, que norteiam a construção de práticas profissionais mais articuladas com os princípios dos Direitos Humanos. O Conselho Federal de Psicologia comemora neste ano os dez anos da Resolução 01/99, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da Orientação Sexual. O Serviço Social publicou Resolução semelhante, a CFESS Número 489/2006 de 03 de junho de 2006. Nela estabelece normas vedando condutas discriminatórias ou preconceituosas, por orientação e expressão sexual por pessoas do mesmo sexo, no exercício profissional do assistente social. Entendo que os profissionais de ambas as categorias não podem mais ignorar essas resoluções. Foram aprovadas, pois estão respaldadas em pressupostos teóricos e científicos inerentes a especificidade de cada área de atuação.

PSI - Conhece-se o número de casos de adoção homoparental no País?
Maurício de Almeida - Ainda não temos números precisos e oficiais a esse respeito. Pode-se afirmar que no Brasil já ocorreram adoções por casais homossexuais e lésbicas, e esses casos podem ser citados, uma vez que foram fartalmente divulgados pela imprensa. Temos, como exemplo, o casal de homossexuais da Comarca de Catanduva, interior do Estado de São Paulo, e dois casais de mulheres que adotaram conjuntamente no Rio Grande so Sul (Porto Alegre e Bagé). Na Comarca em que trabalho observo uma procura maios desses potenciais candidatos(as) que se dirigem até um fórum para solicitar informações acerca do processo de adoção. No entanto, poucos(as) efetivamente entram com o pedido de cadastramento.

PSI - A fase do silêncio não foi superada?
Maurício de Almeida - Não. Creio que a hesitação dos candidatos em declarar sua orientação sexual deve-se ao medo de enfrentar eventuais preconceitos e rejeições durante a tramitação do processo. Este fato nos coloca diante de um novo enfrentamento: combater a homofobia e também propiciar o acesso e as orientações necessárias a todos e todas que se sentem motivados para a adoção.

PSI - Se a pessoa ou o casal não declara sua orientação sexual, ela não interfere de alguma forma sobre o processo de adoção?
Maurício de ALmeida - Sim. A invisibilidade do preconceito é tão nefasta quanto a sua expressão concreta. Recentemente li uma reportagem em um jornal de grande circulação, no qual constava o depoimento de um pai adotivo, que disse apresentar orientação homossexual. Esse fato, contudo, não foi aboradado em nehum momento do processo judicial. Ora, seja homo ou hetero, a vida familiar afetiva e os vínculos do sujeito com a rede social mais ampla invariavelmente são discutidos e problematizados pelos profissionais que se encarregam dessas avaliações. Essa mudança de posicionamento pode também contribuir para o exercício profissional dos operadores do Direito, psicólogos e assistentes sociais, que terão condições de rever os próprios valores, tratar os candidatos de forma mais transparente e respeitosa. Uma questão simples, mas não menos importante é o que pensam as crianças e adolescentes acerca da possibilidade de terem, por via da adoção, pais e mães homossexuais? Ainda não sabemos.

PSI - Argumenta-se contra a adoção homoparental, alegando o interesse da criança. Como você vê essa questão?
Maurício de Almeida - O preconceito é uma construção social e a própria cultura pode combate-lo. O que devemos efetivamente verificar é quem realmente estamos procurando preservar: se a nós mesmos ou a criança. É curuiso notar que o mesmo argumento é utilizado em relação à adoção interracial. Com a falsa ídéia de que se quer proteger a criança de eventuais preconceitos raciais, muitos candidatos brancos afirmam que não escolheriam uma criança negra para não gerar a ela maiores sofrimentos.

PSI - Que perspectivas você vê com relação a adoção homoparental no Brasil no futuro próximo?
Maurício de Almeida - Mantenho uma visão otimista em relação à adoção por homossexuais. É claro que nesse momento há uma visibilidade mais central sobre a adoção por parte de lésbicas e homossexuais. Talvez no futuro, não muito distante, possamos prescindir da questão do gêneroe da orientação sexual para contemplarmos diferentes estilos parentais. Espero que as nossas preocupações estejam concentradas nas condições de candidatos e candidatas para formarem laços afetivos e cuidar de uma criança ou de um adolescente.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

Alergia de Contato


Contato em excesso,

ou falta de contato?


o barulho ensurdecedor

de todas as minhas vozes,

ou o que me foi re-negado?


re-sentido em silêncio.

Reconhecer-me na fala do outro

ou re-velar-me em ausente canto?


palavra do outro em mim...


Acostumar-me ao silêncio

ou irromper em alergia

por não mais suportá-lo?


Corpo que quer falar ou calar?
Escrito por Renata

Sobre o valor da Depressão




No começo, o bebê é o ambiente e o ambiente é o bebê. Através de um processo complexo (parcialmente compreendido, sobre o qual eu e outros já escrevemos bastante), o bebê separa os objetos, e aí, separa o ambiente do self. Há um estado intermediário em que o objeto com o qual o bebê se relaciona é um objeto subjetivo.

O bebê passa então a ser uma unidade, primeiro em certos momentos e depois durante o tempo todo. Uma das consequências desse novo desenvolvimento é que o bebê passa a ter um interior. Surge, então, um intercâmbio complexo entre aquilo que é dentro e aquilo que é fora, que continua através da vida do indivíduo, constituindo-se na principal relação que ele tem com o mundo. A relação é mais importante até mesmo do que o relacionamento objetal e a gratificação instintual. Esse intercâmbio de mão dupla envolve mecanismos mentais denominados "projeção" e "introjeção". E então muita coisa acontece, realmente muita...

A fonte desse progresso é o processo maturacional inato no indivíduo, que pode ser facilitado pelo ambiente. O ambiente facilitador é necessário, e, se não for bom o suficiente, o processo maturacional se enfraquece ou se interrompe.

Assim, a força e a estrutura do ego tornam-se um fato, e a dependência de um novo indivíduo em relação ao ambiente transforma-se cada vez mais, indo do extremo da dependência absoluta até a independência, embora jamais atinja a independência absoluta.

O desenvolvimento e a instalação da força do ego é a característica básica ou importante que indica saúde. De forma natural, o termo "força do ego" vai adquirindo cada vez mais significado, à medida que a criança amadurece. No início, o ego só tem força devido ao suporte egóico dado pela mãe adaptativa, que durante certo tempo é capaz de se identificar muito intimamente com o seu bebê.

Chega então um período em que a criança se torna uma unidade, torna-se capaz de sentir: EU SOU, tem um interior, é capaz de cavalgar suas tempestades instintuais e também é capaz de conter as pressões e os estressores gerados na realidade psíquica interna. A criança tornou-se capaz de se sentir deprimida. Essa é uma aquisição do crescimento individual.

Nossa visão da depressão está intimimante ligada ao nosso conceito de força do ego, de estabelecimento do self e de descoberta de uma identidade pessoal; é por essa razão que podemos discutir a idéia de que a depressão tem valor. Em psiquiatria clínica, a depressão tem muitas características que a tornam, obviamente, uma descrição de doença, mas sempre, mesmo em distúrbios afetivos severos, a presença do humor depressivo dá alguma base para a crença de que o ego individual não está rompido e pode ser capaz de manter a fortaleza, mesmo que na realidade não chegue a nehum tipo de resolução da guerra interna.

A causa principal do humor deprimido é uma nova experiência de destrutividade e de idéias destrutivas que deseparecem com o amor. As novas experiÊncias precisam de uma reavaliação interna, e é essa reavaliação que encaramos como depressão.

E o que fornece alívio não são os tranquilizantes. Surpreendentemente, uma pessoa pode sair fortalecida, mais estável e mais sábia de uma depressão, se compararmos seu estado no início dela.


(D.W.Winnicott, em "Tudo começa em casa")

Artista: Sir Thomas Lawrence

domingo, 7 de junho de 2009

Persona - Clarice Lispector


Poesia recitada por Aracy Balabanian embalada por cenas de filmes de Ingmar Bergman.

http://www.youtube.com/watch?v=1CahrUIWsM8


by Pablo Picasso

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Sobre o Homem


"Deixem o homem imperturbado, desde o berço. Não o expulsem do bulbo extremamente unido do seu ser, não o expulsem da casa protetora de sua infância. Não o façam de menos, para que ele não sinta vossa falta e, assim, vos separe de si mesmo; não façam demais, para que ele não sinta a vossa violência ou a sua própria, e assim, vos separe de si mesmo. Em suma, deixem o homem saber só tardiamente que há seres humanos, que há alguma coisa, fora dele, pois só assim ele se tornará homem. O homem é um deus assim que se torna homem. E, sendo um deus, ele é bonito."

Holderlin.